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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Há palavras que nunca devem ser proferidas. Jamais. Em circunstâncias algumas.

"O rancor e o ódio caminham de mãos dadas. Um destila querosene enquanto o outro cospe fogo. Um alimenta o outro. A fonte de ignição? O amor."

 Gato Pardo

 

O amor é uma coisa maravilhosa.

Nasce, cresce, molda-se, amadurece. E infelizmente, não poucas vezes, definha. Não morre de um instante para o outro mas transforma-se em algo muito mais sombrio.

O ser humano possui a aptidão inata de destruir em segundos aquilo que leva anos a construir. E a arma de destruição maciça de eleição é e será sempre o uso rancoroso da palavra.

Já ostentei com prazer o facto de ser das pessoas mais rancorosas que tive o prazer de conhecer na vida. Digo ostentei, porque à medida que os anos vão passando, fui tomando consciência da imensa perda de tempo e sanidade mental que isso é. Não vale a pena. As palavras proferidas não voltam atrás e os pontos de vista esgrimidos valiam o que valiam naquele dado momento. A opinião das pessoas é o que é. E se damos mais importância ao que as pessoas acham do que sermos fiéis a nós mesmos, estamos a caminhar em direcção ao abismo da auto condescendência. Dispenso. Já vi partir pessoas que me eram fundamentais mas não morri no processo. Saí magoado, mas inteiro.

Tudo isto para dizer que é com enorme pesar que vejo amigos a serem atacados verbalmente por aqueles com quem partilharam um quarto de século das suas vidas. E porquê? Porque onde havia amor, esse mesmo cessou de existir. E tudo o que restou foi mágoa. E essa mágoa rapidamente tornou-se rancor. E daí ao ódio verbal, foi um simples passo. Porquê? Porque um sentiu a absurda necessidade de magoar o outro. Tão simples quanto isso.

Meia dúzia de palavras foram suficientes para abanar significativamente todos os alicerces que definem uma pessoa enquanto ser humano. Foi baixo e foi vil.

É a prova inequívoca que nós (enquanto seres humanos) somos capazes das odes mais gloriosas ao amor com a mesma facilidade com que encarnamos Nero e observamos Roma a explodir em chamas durante dias a fio enquanto tocamos lira.

Bipolaridade elevada ao seu expoente máximo.

Faz-me pensar que Ornatos Violeta acertaram em cheio nas primeiras duas frases daquela célebre música.

"Ouvi dizer que o nosso amor acabou

Mas eu não tive a noção do seu fim..."

Nada justifica trespassar verbalmente o peito de alguém por despeito.

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Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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